Revolução Constitucionalista de 1932 | Um marco revolucionário na história do Estado de São Paulo
O dia 9 de Julho é uma das datas mais importantes do calendário paulista. Celebrado como feriado estadual desde 1997 pela Lei Estadual nº 9.497, a “Data Magna do Estado de São Paulo” relembra a Revolução Constitucionalista de 1932, um movimento armado liderado pelas elites contra o governo provisório de Getúlio Vargas.
Após a Revolução de 1930, Getúlio Vargas assumiu o poder e dissolveu o Congresso Nacional, suspendeu a Constituição de 1891 e passou a governar por decretos. Em São Paulo, cresceu o descontentamento com a perda de autonomia política e com a nomeação de interventores federais em vez de governadores eleitos.
Mesmo isolado militarmente, São Paulo promoveu uma impressionante mobilização de guerra. Os principais confrontos ocorreram em regiões estratégicas nas divisas do estado, especialmente nos setores do Vale do Paraíba, sul de São Paulo e região de Minas Gerais. Enquanto homens seguiam para as frentes de batalha, mulheres atuavam em hospitais, campanhas de arrecadação e na produção de uniformes e suprimentos.
Embora tenha conseguido mobilizar cerca de 35 mil a 40 mil combatentes, entre soldados e voluntários, São Paulo enfrentou um adversário numericamente superior. O governo federal reuniu aproximadamente 100 mil homens vindos de diferentes regiões do país, além de contar com maior disponibilidade de armamentos, munições, aeronaves e recursos logísticos. Essa diferença de efetivo e estrutura foi um dos fatores decisivos para o desfecho do conflito.
No dia 2 de outubro de 1932, após quase 90 dias de combate, os líderes paulistas aceitaram negociar a rendição. A revolução deixou oficialmente 934 mortos e milhares de feridos, com estimativas não oficiais apontando que o número real de vítimas pode ter chegado a cerca de 2.200 mortos, considerando combatentes de ambos os lados e dificuldades de registro da época.
O conflito deixou marcas profundas na história do Brasil, e até hoje é marcado por homenagens aos combatentes e cerimônias em monumentos históricos, como o Obelisco do Ibirapuera, que abriga os restos mortais de participantes do movimento. Embora tenha sido uma derrota militar, o movimento contribuiu para acelerar o processo de elaboração de uma nova Constituição e permanece como um dos episódios mais importantes da história política brasileira.


